Laços e Nós Afetivos
Hugo Nascimento Rezende
Psicólogo
Escutei essas expressões em um programa de rádio de minha cidade. Achei bastante curioso e interessante e resolvi escrever um simples texto sobre este tema. Não sou muito favorável a respostas prontas, por isso sugiro uma reflexão.
Como ponto de partida, acredito ser interessante pararmos para pensar no que nos une a alguém, ou a um grupo de pessoas? Uma das respostas que poderá vir à mente é a palavra afeto. O afeto, normalmente, é associado a sentimentos bons como carinho, proteção e cumplicidade. Como esse sentimento normalmente se tem com alguma coisa ou alguém, formamos um laço com este outro.
Fazendo uma analogia com a fita a qual fazemos laços para embrulhar presentes, acredito que nesta vida somos um laço em potencial. Caso contrário somos apenas uma fita. Simples, reta, cheia de detalhes, porém apenas uma fita. Na minha relação com o outro vou modelar a minha forma no intuito de tornar-me um laço.
O laço afetivo acredito ser isso. Ele é criado espontaneamente. Prende-nos em alguns momentos quando entramos na vida de alguém sem nos sufocar, podendo durar a vida toda. Porém a beleza do laço é que ele pode ser desfeito. Aquela fita inicial, não será lisa como da primeira vez. Ficará com marcas de aprendizado de ter se envolvido com alguém. Marcas essas que não me impedirão de desenvolver um laço afetivo com um outro alguém. Somos eternos aprendizes das relações humanas.
E o nó afetivo? Como ele se cria? Ele se inicia da mesma maneira do laço afetivo, porém existe algum movimento no meio do caminho destas relações que não o permitem se tornar laço e ele se torna apenas um nó.
Uma relação em forma de nó é mais difícil de desfazer. Não possui tanta beleza e sua forma não permite que os detalhes da fita apareçam. E quanto mais um ou outro tentar mostrar a sua verdade sem respeitar o outro lado, ele fica mais difícil de ser desatado. Ele se aperta cada vez mais.
Um nó afetivo eu envolvo a outra pessoa em uma situação que depois pode se tornar impossível de desfazê-lo. Realizo-o atropelando os desejos do outro. Esquecendo por muitas vezes de como cheguei até aqui. O objetivo era se tornar um laço, não um nó. Mas por muitas vezes o nó não nos permite enxergar este emaranhado. Ele nos sufoca.
A tempo de tudo nesta vida. De ser fita, de ser laço e até de sermos nós. Convém destacar muito mais do que o estar nestes estágios é o que eu aprendi com eles.
(Publicado em 13/08/2009)
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