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Educar para Evoluir

Maria Eliana Lopes de Souza
Pedagoga


A escola não é simplesmente um local de transmissão de cultura, sua especificidade está muito, além disso. Bem sabemos que princípios como solidariedade, respeito e igualdade fazem parte do discurso da escola cidadã, o que realmente está faltando é transformar esses conceitos em atitudes práticas e formadoras de uma cultura que reconheça “os outros”.

Isso só será possível a partir de uma prática que incorpore as múltiplas dimensões formadoras da dignidade humana. As propostas pedagógicas da atualidade têm contemplado a educação para a cidadania como base para o desenvolvimento e formação da autonomia. Percebemos então que a criticidade, a liberdade de expressão e o respeito às diferenças, já fazem parte da proposta da escola. Nosso maior desafio é fazer com que os conteúdos e projetos avancem para um estágio no qual a vivência do respeito às diferenças possa ser posta em prática

Bem sabemos que a educação é seletiva. Selecionamos desde o conhecimento necessário à formação da grade curricular, até as estratégias de ensino. No entanto não devemos esquecer que falamos para pessoas diferentes que trazem para a escola sua história de vida e toda uma bagagem que está para além dos programas de ensino. Sabemos que a vivência e conhecimento da comunidade são indispensáveis para uma real sintonia entre projeto e realidade. 

Essa dicotomia existe e sempre existiu e a escola, como principal agente de socialização e disseminação do conhecimento historicamente acumulado, tem uma função central no cenário que atualmente se configura. Cabe ressaltar que o componente essencial ao escolhermos trabalhar na escola com um programa de direitos humanos é que ele será impossível se não estiver associado a práticas democráticas. 

Assim sendo a formação de professores capazes de assimilar os conceitos de Direitos Humanos e Educação é à base do programa. Por tanto não basta ser cidadão, tem que ser humano. Ao trabalharmos com educandos, principalmente, das séries iniciais do Ensino Fundamental estamos literalmente trabalhando com a formação de novas gerações que tanto poderão reproduzir comportamentos e preconceitos, como superá-los. Para tanto essa temática deve fazer parte do cotidiano escolar, não apenas ser lembrada em datas específicas

No entanto essa educação para o reconhecimento das diferenças só será possível quando evoluirmos de ideologias e discursos para ações calcadas na realidade e que levem em consideração todos os aspectos relevantes à formação humana. De nada valerá um projeto que não leve em consideração os aspectos culturais envolvidos no processo. Se não sabemos realmente quem estamos formando, a eficácia do processo está comprometida desde a base. 

Devemos focar nossos esforços não apenas para uma cultura de tolerância. Todas as propostas pedagógicas em discussão ou em fase de implementação prevêem a formação para a cidadania, mas por vezes deixam de mencionar: para qual cidadão.

Para tanto as políticas do Estado e a sociedade como um todo devem participar desse processo que não é apenas o reconhecimento da pluralidade cultural formadora da nação brasileira, mas sua relevante participação na formação da sociedade brasileira respeitando diferenças e vivendo com elas. 

Dentro dessa visão a tarefa de implementar os direitos humanos através da educação é dever de todos – cidadãos e governo. Pois um educando não é só um educando, é um ser social e cultural, ou seja, não existe apenas dentro da escola. Assim sendo suas interações definem, e muito, seu comportamento e sua maneira de expressar-se. Educar para as diferenças é reconhecer isso e estar constantemente avaliando e reavaliando nossa postura enquanto educadores e formadores.

(Publicado em 22/02/2009)



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