A Formação Pedagógica em Questão
Daniella Magnini Baptista
Pedagoga
Inicialmente gostaria de refletir sobre a pedagogia em si, pois sempre encontrei ao longo de minha vida profissional algumas pessoas que não sei por qual motivo acreditam que a educação não passa de caso perdido e que as pessoas que buscam o curso de pedagogia não passam de meros atendentes escolares.
Outro dia mesmo, lendo uma coluna em um jornal de grande circulação em minha cidade, fui surpreendida com a informação que todas as pessoas que buscam a carreira do magistério; em especial quem ingressa no curso de pedagogia; são pessoas com nível de formação fraca e que não teriam condições de enfrentar um curso mais concorrido.
Sinto-me ofendida, pois em primeiro lugar não venho de formação fraca e em segundo lugar não concordo que somente pessoas não qualificadas buscam a formação em pedagogia.
Se pararmos para pensar que a pedagogia é uma ciência que teve sua origem na Grécia Antiga e cujo objetivo é levar o indivíduo a reflexão, a ordenação, a sistematização e principalmente a crítica do próprio processo educativo, por que então não elevá-la a seu status de direito?
Pois bem, dentro de uma concepção já cercada de preconceito e desvalorização é importante mostrar a essência do curso de pedagogia, pois na maioria das vezes as pessoas não têm o conhecimento do que realmente faz parte da grade curricular do curso.
Em sua estrutura, basicamente a pedagogia estuda tanto disciplinas filosóficas, como científicas e técnico-pedagógicas além de oferecer ainda uma fundamentação específica sobre a teoria das relações humanas, da aprendizagem e das políticas da educação.
Aprofundando-se nas disciplinas sobre modalidades de ensino e diversidade, os educandos recebem grande suporte técnico de ciências como a psicologia, a sociologia, a filosofia, a antropologia e a andragogia.
Apesar de tudo isso, a visão da educação pode ser considerada como uma grande divisora de águas, pois a constante aceleração de informações no mundo apresenta um cenário com aumento exponencial das diferenças, onde as exigências são cada vez maiores e o reconhecimento é ainda menor.
Responsável por atuar em diferentes realidades e principalmente por responder às diversas demandas e exigências culturais e sociais, o profissional da educação ainda deve se preocupar com a luta diária pela sobrevivência, onde revestido de coragem e muito amor a tudo aquilo que faz, procura conquistar o seu lugar ao sol.
Como em uma história, o sistema social é o narrador, o professor é o protagonista e sua formação uma verdadeira armadura capaz de enfrentar, vencer e até aniquilar os dragões da ignorância, com o fim maior de conseguir chegar ao topo da torre do reconhecimento profissional e quem sabe então salvar a educação e finalmente reverter essa situação de falta de credibilidade e principalmente de respeito.
Se analisarmos que por vezes os homens são lembrados por seus feitos pessoais ou profissionais diante da sua comunidade ou do mundo, por que não lembrar do professor que através de seu ofício demonstra que é possível realizar sonhos ou mesmo quebrar barreiras diante da dura realidade além muros escolares.
A formação pedagógica; seja ela com ênfase na educação da diversidade etno-racial, do campo, especial, indígena, de crianças, de jovens ou de adultos, sempre foi e sempre será um reflexo da vida em sociedade na qual, às questões educacionais ou organizacionais apresentam o homem como ser social em constante evolução e aprendizagem.
A educação sempre contribuiu de uma maneira ou de outra e apesar disso tudo, ainda temos que constantemente lembrar seus propósitos e suas descobertas no campo da ciência, da tecnologia e da formação pessoal.
Fazer parte desse contexto vai muito além do que pensam e será através da valorização dessa formação, que o homem irá compreender que é testemunha da era da crescente exigência por capital humano e que a globalização nada mais é do que uma tradução das mudanças, realizadas pela revolução da cognição na busca por qualidade de vida.
(Publicado em 27/03/2009)
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