OLHAR PEDAGÓGICO

Dicas


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O Desenvolvimento Motor da Criança

Daniella Magnini Baptista
Pedagoga


Sabe-se que o desenvolvimento motor; dependente da biologia; é o processo de mudança que envolve tanto a maturação do sistema nervoso central, como a interação com o ambiente, seus estímulos e suas relações.

Por ser um processo de aprimoramento, será através do desenvolvimento motor que a criança irá adquirir independência, isto é, será por meio da locomoção, da estimulação e conseqüentemente da manipulação de objetos que ela irá construir seus conceitos motores.

Nascimento - Primeiro mês: A postura do recém nascido é a flexão fisiológica, isto é, o que predomina é a assimetria. A criança nessa fase move os braços, as pernas e o corpo inteiro ao mesmo tempo porque não pode ainda diferenciar os movimentos separados. A esse tipo de ação/reação chama-se de Movimento em Bloco, o que caracteriza uma parte gradativa do controle motor. À medida que o córtex e as bainhas de mielina se desenvolvem, é estabelecida a conexão com a medula espinhal, com isso os Movimentos em Bloco diminuem e os Movimentos Voluntários se tornam mais precisos.

Segundo mês - Terceiro mês: A criança pode virar-se para os dois lados, não mais em bloco, mas já com certa rotação e brinca com as mãos podendo segurar objetos levando-os à boca. Na posição ventral, ergue a cabeça a 45º, mas o apoio sobre os antebraços ainda não é estável, apresentando padrão extensor, pois seu tônus flexor já não predomina. Os movimentos dos olhos e cabeça já são, muitas vezes, simultâneos e coordenados e ouvindo ruídos, a criança para de mover-se e vira logo para a fonte geradora.

Quarto mês: Nessa fase, as mãos são trazidas à linha média e contempladas, coordenadamente com a atitude da cabeça e do corpo. Quando em posição ventral, a cabeça já se ergue a quase 90º e a criança apóia os antebraços com bastante estabilidade iniciando com isso os movimentos de rastejamento. Levantada na posição dorsal, a criança colabora com bom controle da cabeça sendo que quando sentada, o tronco ainda não é estável. Quando erguida pelas axilas, estende as pernas, encontra o suporte e faz peso ligeiramente mediante co-contração.

Quinto mês: Inicia-se a reação de equilíbrio e com isso a estabilidade incipiente do tronco. Quando a criança é colocada em decúbito dorsal ela pode virar-se de um lado para o outro e, às vezes, atingir o decúbito ventral. Nessa fase já leva os pés à boca e em decúbito ventral, a cabeça ergue-se bem até 90º. Começa com isso o deslocamento de peso para um dos lados, a fim de liberar um dos braços. Quando erguida pelas axilas à criança apresenta maior flexibilidade no joelho.

Sexto mês: Se a criança se senta, podem-se tirar as mãos por curtos períodos. Ela joga-se, então, para adiante, tendo um controle de peso insuficiente. Quando é colocada em pé apresenta boa simetria da postura, mas não se mantém independentemente. Apresenta reflexos como a preensão plantar e cutâneo plantar em extensão o que dependendo da criança pode se extinguir nesse mês, mas em algumas perdura até um ano. Quanto às reações tanto a de retificação da cabeça sobre o corpo como a de endireitamento do corpo sobre o corpo e a postural de fixação e de proteção são as mais verificadas no avanço do desenvolvimento motor.

Sétimo mês: Nessa fase a criança não permanece mais em decúbito dorsal, virando-se para um dos lados e em decúbito ventral, às vezes tenta ficar na posição chamada de gato. Sentada, apresenta bom equilíbrio quando se inclina para frente e quando segurada pelas axilas, tenta equilibrar-se, mas oscila. A criança nessa fase agarra objetos e tenta estabilizar-se neste sentido, isso porque já existe boa coordenação dos músculos oculares e boa coordenação olho-mão. Come biscoitos que lhe são dados, bebe em xícara que alguém segura para ela e come com colher.

Oitavo mês: A criança quando sentada, já se apóia com rotação muito boa para adiante e lateralmente e apoiando-se, já consegue ficar em pé. Mais estável, chega à posição ereta embora ainda sem segurança e do ponto de vista mental, há uma melhor situação e pode, a partir daí, descobrir melhor o seu meio. Movimentos continuados, modificações na posição e tentativas constantes de alcançar alguma coisa no espaço determinam o desenvolvimento motor.

Nono mês: Nessa fase a criança senta-se estavelmente e, quando perde o equilíbrio, reage com contramovimento do corpo. Fica em pé com maior estabilidade e, quando segurada, apresenta bom equilíbrio. Sentada ou em pé apóia-se sobre os quatro membros, locomovendo-se com maior rapidez. Diante de um brinquedo agarra-o bem e o atira de forma impulsiva.

Décimo mês: Atinge o sentar sem apoio independentemente, com bastante equilíbrio. Também já fica em pé sozinha segurando em objetos e passa da posição em pé para sentada e sentada pararem pé. Esta idade é o estágio intermediário da horizontal para a vertical ainda instável, por isso não se pode deixá-la só, pois a criança fica em pé e tenta largar-se e quando anda, busca ao longo dos móveis certo apoio e engatinha.

Um ano – Um ano e meio: Algumas crianças ainda preferem engatinhar, pois é uma locomoção mais rápida, mais já começam a dar os primeiros passos o que acentua o desenvolvimento motor. A criança mostra equilíbrio adequado às posições, bom controle de cabeça e tronco, boa rotação, boa flexão de quadril na posição sentada, boa extensão de quadril em pé e boa mobilidade das articulações. Pode agarrar um objeto e transportá-lo, tenta colocá-lo em ordem, desarruma, apalpa, distingue materiais e melhora de forma significativa a sua integração perceptiva, acompanhada pelo desenvolvimento da fala. A evolução motora está realizada, de modo que a criança pode experimentar amplas dimensões evolutivas.

Um ano e meio - Dois anos: Nessa idade a criança caminha independentemente, fica de cócoras e volta a ficar em pé o que amplia a exploração dos espaços como: passar da posição sentada para a em pé, engatinhar escada acima e subir em uma cadeira de adulto, virando-se e sentando-se. Segura o lápis em preensão radial, rabisca com giz de cera e/ou lápis imitando movimento circular e quando vira as páginas de um livro, vira várias de uma só vez. Quando a criança está diante de brinquedos é capaz de curvar-se na altura da cintura para apanhar objetos sem cair e brincando coloca aros num pino e já constrói uma torre de blocos utilizando três cubos.

Dois anos - Três anos: Com essa idade as crianças já conseguem: saltar sobre dois pés, caminhar para trás, virar trincos e maçanetas de portas, dar pontapés em bolas grandes, com o auxílio de um adulto já consegue virar cambalhotas para frente e consegue atirar uma bola para um adulto a cerca de um metro e meio sem o adulto mover os pés. Em decorrência do avanço motor a que a criança esta sujeita nessa fase, diante de um livro ela pode virar as páginas do mesmo uma de cada vez e imitando o outro ela é capaz de dobrar um papel. Quanto à construção de blocos é capaz de montar uma torre de cinco a seis cubos, separando e juntando brinquedos que se completam de maneiras simples. Ao manusear brinquedos de encaixe a criança é capaz de desparafusar e procurar peças similares.

Três anos – Quatro anos: Nessa fase a criança gosta de martelar pinos, juntar quebra-cabeças de três peças ou pranchas de formas geométricas. Para recortar ela gosta de utilizar a tesoura e recorta cerca de um quarto de uma linha de vinte cm e quando segura o lápis entre o polegar e o indicador, descansa o terceiro dedo. Nas atividades de locomoção ela já é capaz de: marchar, pular de uma altura de vinte e quatro cm com os pés unidos, andar nas pontas dos pés, correr dez passos com movimentos de braços coordenados, subir escadas alternando os pés e agarrar uma bola com as duas mãos.

Quatro anos – Cinco anos: Especialmente nessa faixa etária, a criança se lança muito a desafios motores como: pular para trás, pular sobre um dos pés cinco vezes sucessivamente, pular para a frente dez vezes sem cair, pular sobre um fio a duas polegadas acima do chão, correr mudando a direção e ultrapassando obstáculos e principalmente consegue ficar apoiada num pé só sem o auxílio de nada de quatro a cinco segundos. Gosta de caminhar sobre marcas no chão, é capaz de bater e agarrar uma bola grande e descer escadas com os pés alternados. Recorta em curva, parafusa objetos rosqueados, quando manuseia argila é capaz de fazer formas compostas de duas a três partes e quando pedala triciclo alterna linhas retas com curvas sem cair.

Cinco anos – Seis anos: Com essa idade a criança domina sua motricidade a ponto de: apanhar objetos do chão enquanto corre, driblar uma bola com direção, caminhar sobre barras de equilíbrio desenvolvendo movimentos para frente, para trás e para o lado bem como saltar rapidamente e subir degraus de uma escada íngreme sozinha. É capaz de permanecer num pé só, sem apoio, com os olhos fechados durante dez segundos, pular e girar em cima de um pé e pular da altura correspondente a doze polegadas caindo sobre a ponta dos pés. Usa o apontador de lápis, pula corda sozinha, bate na bola com bastão ou vareta e ao brincar em um balanço já sustenta movimento.


(Publicado em 27/06/2010)



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