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Notas


Espaço destinado para histórias e comentários de datas comemorativas.



14 de Março – Dia Nacional da Poesia


O Dia Nacional da Poesia foi uma data criada para homenagear o dia do nascimento do maior poeta brasileiro, o abolicionista Antônio Frederico de Castro Alves. Ele nasceu em 14 de março de 1847 na Fazenda Cabaceiras do Paraguaçu na Vila de Nossa Senhora da Conceição de Curralinho no estado da Bahia. Registros históricos datam que essa cidade foi colonizada no fim do século XVII, pelos bisavós do poeta e que em 1900 através de um decreto de lei, a cidade mudou o nome de Curralinho para Castro Alves.

Castro Alves era filho de Antônio José Alves e Clélia Brasília Castro e cresceu cercado de atmosfera literária entre saraus, festas de arte, música, poesia e declamações de versos. Com 17 anos de idade Castro Alves começou a escrever poesias e com o passar do tempo firmou seu talento com romances, versos e poemas líricos do Brasil. Em 11 de agosto de 1827, D. Pedro I (1798 – 1834) promulgou a lei que criou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais nas cidades de São Paulo e Olinda. Entre grandes personalidades que saíram dos dois cursos de Direito do País para entrar na história, merecem destaque Castro Alves e seus amigos Joaquim Nabuco (1849 – 1910) e Ruy Barbosa (1849 – 1923). Além de partilharem dos ideais abolicionistas, tiveram em suas vivências tanto universitária como literata a participação na Associação Literária Ateneu Paulistano. Em 1863 Castro Alves teve sua primeira hemoptise em decorrência da tuberculose e apesar disso continuou com suas produções e juntamente com alguns amigos fundou uma Sociedade Abolicionista.

Segundo a Academia Brasileira de Letras, em suas obras, distinguem-se duas grandes vertentes: o traço lírico-amoroso e o traço social e humanitário. A característica principal de suas produções envolvia os vigores da paixão, a intensidade e o encantamento pelo amor, pela alma e pelo corpo. Poeta social era sensível aos ideais revolucionários liberais do século XIX e devido a sua grande preocupação pela causa abolicionista recebeu a alcunha de “Cantor dos Escravos”.

Castro Alves faleceu no dia 6 de julho de 1871 e foi a partir de 1881 que a campanha abolicionista tomou corpo. O amigo Ruy Barbosa foi quem se preocupou em resgatar e preservar as obras do poeta e posteriormente Afrânio Peixoto (1876 – 1947), ex-presidente da Academia foi quem reuniu em dois volumes toda a produção de Castro Alves.

Em 1947, o Instituto Nacional do Livro, do Ministério da Educação e Cultura, comemorou o centenário do nascimento de Castro Alves com uma grande exposição da qual resultou um livro comemorativo com muitas e significantes informações da vida e da obra do poeta. A preocupação pelo social e a paixão pela poesia foram marcadas em duas grandes produções do poeta. Poemas como “Navio Negreiro” (1880) e “Espumas Flutuantes” (1870), foram com certeza obras responsáveis por sua popularização.

Curiosidade:

“Espumas Flutuantes” foi o único livro publicado em vida por Castro Alves e reúne poemas escritos em diferentes épocas, abrangendo os mais variados temas de sua poética. A linguagem é apaixonante para aqueles que gostam de romance e seus poemas são carregados de emoção e paixão.

Abaixo um dos poemas de “Espumas flutuantes” onde Castro Alves desenha a lírica amorosa com enorme maestria.

 

Espumas Flutuantes (Castro Alves)

DEDICATÓRIA

A pomba d'aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente... rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso...
Mas um disco se avista ao longe... A praia
Rasga nitente o nevoeiro denso!...
Ó pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!
Ninho amigo da pomba forasteira! ...

Assim, meu pobre livro as asas larga
Neste oceano sem fim, sombrio, eterno...
O mar atira-lhe a saliva amarga,
O céu lhe atira o temporal de inverno. . .
O triste verga à tão pesada carga!
Quem abre ao triste um coração paterno?...
É tão bom ter por árvore — uns carinhos!
É tão bom de uns afetos — fazer ninhos!

Pobre órfão! Vagando nos espaços
Embalde às solidões mandas um grito!
Que importa? De uma cruz ao longe os braços
Vejo abrirem-se ao mísero precito...
Os túmulos dos teus dão-te regaços!
Ama-te a sombra do salgueiro aflito...
Vai, pois, meu livro! e como louro agreste
Traz-me no bico um ramo de... cipreste!

(Bahia, Janeiro de 1870)

Fonte do poema: Livro: Poesias - Espumas Flutuantes de Castro Alves retirado do site:
http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/00042900#page/15/mode/1up
 



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